Como eu comentei no post anterior, eu resolvi aproveitar o feriado do dia do trabalho (1o de Setembro aqui) e ir visitar uma amiga em Los Angeles… de carro, pra aproveitar e tirar fotos no caminho e conhecer um pouco mais. O plano final foi ir pela I-5 pra chegar mais rápido, e depois voltar pela US-101, que é um caminho mais “paisagesco”, parando mais vezes pra fotos e tal.
Viagem de ida foi relativamente tranquila, tirando que 1:30h depois de botar o pé na estrada um puliça resolveu não gostar que eu tava fazendo 80 numa área de 60, não teve muita discussão e eu ganhei minha primeira multa por excesso de velocidade… sem mais problemas, cheguei em LA no dia seguinte, umas 30h depois de sair, com 21h de estrada.
Dia 1 em LA foi sem problemas anormais, me perdi 2 vezes pra chegar no apartamento da minha amiga, mas isso é normal em se tratando da minha pessoa.
Dia 2 era um dia mais “cheio”, fomos no Universal Park e depois no show do Jack Johnson. E não levou muito tempo até que eu perdesse meu celular em Springfield… fomos num brinquedo dos Simpsons, uma montanha russa sem trilhos, basicamente - alias, eleito até agora meu brinquedo favorito - e eu por algum motivo bem idiota ignorei o aviso deles de deixar pertences do lado de fora, e fui com o telefone no bolso. Quando saímos do brinquedo resolvi ver que horas eram (e a bateria do meu relógio acabou mais ou menos quando eu cheguei aqui nos EUA e eu nunca mandei trocar), e notei que o telefone não tava no meu bolso. Conversamos com um guia que estava por perto, ele conversou com as moças que cuidam do brinquedo e nenhum sinal do meu telefone. Aproveitamos o parque e depois show sem maiores contratempos, tirando que eu quase fiz todo mundo se perder, er, ir pro endereço errado no show, mas como eu disse, eu me perder não é algo anormal, a única diferença é que dessa vez tinham mais pessoas comigo, e por sorte uma delas percebeu o detalhe que eu tava indo pro endereço errado…
Dia 3 fomos conhecer Laguna Beach, e dessa vez a intenção era mais ou menos “exploratório”, planejamos uma rota que passaria quase o tempo todo na costa, pra ir vendo/conhecendo todas as praias no caminho. Mas em algum momento, provavelmente quando o pessoal da Universal ligou pra avisar que possivelmente tinham achado meu telefone (e eles fazem perguntas dificeis pra saber se o telefone era meu mesmo, perguntas tipo “qual o papel de parede” - difícil mesmo, eu não sabia/sei a resposta), a gente saiu da rota. Alguém mais notando meu padrão com seguir direções? Pelo menos nesse caso a gente perdeu só a primeira metade do caminho, que seria vendo mais praias e acabamos fazendo um caminho mais “interior” até chegar em Laguna. Um por do sol e um por da lua depois pegamos o caminho de volta, tentando ver mais praia (sim, depois de ter visto o sol se por), e basicamente procurando uma saída “pela esquerda” a todo momento… conhecemos vários becos! Inclusive um que eu achei bastante curioso… a rua era “one way” pra esquerda, e o próximo cruzamento era “no turns”, e depois era “dead end”. Eu acho que essa era a única “one way” legítima, não tinha como voltar sem usar a contra-mão… (hmm, ou talvez se usasse algum cruzamento que eu não vi).
Dia 4, dia de voltar pra casa. Uma despedida que eu sinceramente preferia não ter feito, e pé na estrada. Pacific Coast Hwy no começo, passando por Malibu, depois uma porção de praias, várias muito bonitas… parada pra abestecimento 1/4 e continuar a viagem…. 101 começa a indicar que vai pra San Francisco, e depois começa a indicar que vai pra Golden Gate, e parada pra fotos… seguindo viagem, passando por Novato, CA, umas 21:30 e parada pra abastecimento 2/4. E modo pânico ligado, carteira is missing. Carro revirado, nem sinal da dita cuja. Modo pânico em nível 2. O que fazer quando se está num país que não é o mesmo que está praticamente toda a família e a maioria dos amigos, sem documentos, sem dinheiro e sem combustível suficiente pra chegar em algum lugar???
Tentativa 1, descobrir se tem algum procedimento oficial. Liga pra “emergência” 911, explica situação, torce pra atendente não rir da tua cara, e ouve as explicações. Basicamente, eles não podem fazer nada. Recomendação é ligar pro banco e tentar descobrir se eles tem um procedimento de emergência pra situações em que todos os cartões de crédito/débito de alguem são perdidos/roubados… problema, não sei o número do banco. Tava no cartão de crédito, que estava na carteira, que está, bom, em algum lugar da Califórnia.
Tentativa 2, seguro - eles tem que servir pra alguma coisa, afinal. E tentativa 2 frustrada, só tenho número de “claims” do seguro, e esse só funciona durante o horário de trabalho normal.
Tentativa 3, roadside assistance da Suzuki. Depois de alguns menus, finalmente uma opção que parece razoavelmente próxima, “if your vehicle is permanently disabled”, bom, não tá bem disabled e nem permanently, mas é bem melhor que as outras. E eles fazem uma pergunta difícil logo no começo. “Please say your home phone number for validation”. Primeiro problema, eu não sei se o cadastro foi feito com o telefone de casa atual, celular ou telefone do apartamento que eu estava quando comprei o carro. E de qualquer forma, eu não sei o meu telefone de casa - ele só serve pra internet mesmo.
Modo pânico em nível 3, release control and art until problem solved (ref. Hellsing, pros não adoradores de anime ;)). Liga de volta pra LA, “então, preciso de um favor… <pausa pra dar efeito> <explica situação torcendo pra não causa ataque de preocupação em excesso> preciso que você procure no site do meu banco o número pra emergências deles, talvez eles consigam resolver meu problema.” Número em mãos, liga pro banco, navega nos vários menus até encontrar a opção “perdi meu cartão”. E primeira pergunta que o atendente faz: “qual o número de 16 dígitos do seu cartão?” E pra variar eu não sei a resposta. Segunta pergunta “qual o número da sua conta?”, e eu também não sei a resposta. Método alternativo, o atendente confirma nome e endereço, últimas 15 compras no cartão e voi-lá, cartão cancelado. Repete o procedimento pro cartão 2, e presto, cartão de débito também cancelado - nesse momento o pensamento ocorre: mesmo que eu descubra que não procurei a carteira direito durantes os primeiros 45 minutos e que de repente ela apareça, eu estou sem cartão válido. Pergunto sobre um procedimento de emergência pra eu conseguir dinheiro, e me mandam pra um outro número. Explico o problema, e descubro que existe uma solução de emergênica - yay! - desde que eu tenha um endereço pra onde eles possam mandar o serviço de emergência. Tentei descobrir se um endereço do tipo “posto Shell na 1a com a Olive em Novato, CA” funcionaria, mas ou a atendente não entendeu meu sotaque ou esse não é um bom endereço, pois ela continuava insistindo que eu precisaria de um endereço pra receber o serviço de emergência, e … que o banco precisa autorizar. Não gostei muito da idéia de passar a noite no posto. E não mais que de repente, “hmm, eu passei pela entrada de Mountain View um pouco antes de San Francisco, e eu tenho um amigo que mora lá. Telefone, contacts, Thiago, not found.” Liga pra LA, “Então, preciso de mais um favor, o negócio do banco não deu certo… eu tenho um amigo aqui perto… mas não tenho o telefone dele, mas eu sei que tem no meu e-mail, procura pra mim?” Passa a senha do e-mail, senha errada, depois senha certa - incrível como é difícil soletrar uma boa senha - e procura procura procura procura, finalmente, um número. Torcendo pra não ter mudado, ligo, e o Thiago atende… uma ligação de um número provavelmente estranho, meia noite, pedindo ajuda na estrada
- alguém mais pode dizer que tem essa experiência? E depois de um tempo o “socorro” aparece na forma de um ser usando dreads, carregando uma porção de dinheiro, e não mais que derrepente estou de volta pra estrada, tanque do carro cheio, dinheiro pra um quarto pra passar a noite e abastecer mais algumas vezes…
Aponto o sistema de nevegação pra pegar o caminho mais rápido pra casa, e vou procurando hotel no caminho… 3 am, nenhum hotel avistado, 4 am nenhum hotal avistado, e finalmente uma “rest area” pra salvar o dia… dormindo no carro tanto quanto possível - 30 min - e depois seguindo viagem… mais algumas paradas no caminho, e finalmente chego são e salvo no conforto do meu apartamento…
Ainda estou convertendo as fotos pra JPG e seperando as aproveitaveis das muito ruins, assim que der “publico” o link.
ps: Carol e Thiago, valeu mesmo